A escoliose infantil é muito mais do que uma “coluna torta”. É uma alteração tridimensional — que envolve rotação, inclinação e desalinhamento do tronco — e que impacta diretamente a qualidade do movimento, a simetria muscular e, em alguns casos, até a respiração da criança.
Por isso, quanto mais cedo a intervenção fisioterapêutica começa, maior é a chance de impedir que essa curva progrida.
Quando a escoliose começa a aparecer?
Na prática clínica, observamos dois momentos críticos:
Entre 5 e 8 anos, quando a criança começa a ganhar coordenação e postura mais estável.
Durante o estirão do crescimento (8 a 14 anos), fase em que a curvatura pode evoluir rapidamente.
É justamente nessas janelas de crescimento acelerado que a fisioterapia tem o maior impacto.
Sinais que frequentemente passam despercebidos pelos pais
Nem sempre a escoliose aparece de forma óbvia. Antes de qualquer assimetria visível, algumas pistas podem indicar desequilíbrios musculares ou compensações:
Criança sempre senta “escorregando” para o mesmo lado
Dificuldade em manter postura alinhada durante tarefas escolares
Fadiga rápida em atividades físicas
Um lado do tronco “trabalhando mais” em movimentos simples, como pegar objetos ou correr
Respiração mais curta ou assimétrica
Esses pequenos detalhes, que muitas vezes parecem apenas “mania”, são sinais valiosos para o fisioterapeuta.
Como a fisioterapia avalia uma criança com suspeita de escoliose?
Aqui na clínica, usamos um protocolo que vai além da observação visual:
Avaliação tridimensional da postura
Teste de mobilidade segmentar da coluna
Análise do padrão respiratório e expansão torácica
Verificação de equilíbrio entre cadeias musculares
Testes funcionais específicos para assimetrias
Isso nos permite identificar não só a curva em si, mas os padrões musculares e motores que estão contribuindo para ela.
O que realmente funciona no tratamento da escoliose infantil
Diferente do que muita gente imagina, não existe “exercício genérico para escoliose”. Cada curva exige uma abordagem específica, com objetivos claros:
Reduzir assimetrias musculares de tronco e pelve
Treinar a autocorreção ativa, para que a própria criança entenda seu alinhamento
Reeducar a postura funcional, e não apenas a postura estática
Melhorar a expansão torácica em casos de rotação vertebral
Fortalecer estabilizadores profundos, que seguram a coluna durante o crescimento
Métodos como Schroth, SEAS e conceito das Cadeias Musculares são escolhidos conforme o perfil da criança e o tipo de curva.
E quando precisamos usar colete?
O colete não é inimigo — mas também não é solução mágica.
Nos casos indicados pelo ortopedista, a fisioterapia atua para:
Ensinar a criança a usar o colete de maneira funcional
Evitar compensações musculares geradas pelo uso prolongado
Manter mobilidade e força equilibrada durante o tratamento
Assim, o colete trabalha na curva, enquanto a fisioterapia trabalha na criança como um todo.